A Dúvida da Mentira

Dúvida que me persegue com os olhos de um corvo.
Dúvida que se esconde nos olhos da minha aflição.
Dúvida invisível, que só o cego enxerga e percebe.
Traiu-me pelo descuido; deixei a desconfiança me levar para um lado bom dos princípios em que sempre acreditei. Aí está a razão da minha fraqueza.
Dúvida, maldosamente escondida entre as trevas do saber e do dizer, pregando uma mentira doentia, ajudada por sua covardia e desonra.
Com maldade, ela amarra minha consciência com as cordas do meu coração e finge ser a inocência de um anjo com asas quebradas.
Caminha apressada e desobediente com uma voz sem ruído, com uma verdade sem razão, por lugares sem volta, com passos de traição rumo a um mundo de tristeza e dor.
Como dói essa dúvida cruel, escondida no fundo da alma, como uma serpente que me engole com olhos de mentira e me esmaga com a força de sua maldade.
Mas eu digo, não afobe; tenha cuidado! O coração que te implora é o mesmo que estás negando; o que te fala é o mesmo para o qual te dizes mudo. Tens a verdade grudada na face, e a dúvida jamais coroará teus pensamentos.
Aceita as palavras que te fazem sorrir, expulsa as que te enganam e abençoa as que te salvarão.
Foge da dúvida e do medo e repousa tua mente no leito da paz. O que te põe em pé é a ausência do medo.
O que te faz andar é tua vontade. O que te faz perder é tua indecisão. Acredita nos teus presságios.
Agora, mais do que nunca, preciso me livrar dela, da face oculta da mentira e do rancor que vagueia alta e desaforada sobre a sombra da minha alma.
Preciso conquistar minha coragem perdida, seguir minha viagem pelo caminho há muito por mim escolhido, para ter o direito ao manto da proteção de uma vida de virtudes.
Ó, dúvida mentirosa, sentimento amaldiçoado dos aflitos, do sorriso ingrato, da face escura dos covardes e dos falsos sem consciência!
Deixa-me, preciso seguir para meu destino. Tenho pressa; o tempo é curto, e minhas forças já escorregam pelas pernas que me faltam.
Afasta-te de mim, dúvida imbecil. Devolve-me minha verdade, minha liberdade. Preciso acudir os que choram por minha ausência de coragem.
Estou em dívida com a verdade e com os meus que me esperam.
Ó, amarga dúvida, és a espada que fere, o peso que esmaga, a força que mata.
Contra ti, só a coragem de dizer NÃO.
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