A Procura da Consciência Perdida

Entendemos com lucidez a nossa consciência e acreditamos que nunca somos inconscientes. Na verdade, o contrário prevalece: somos muito mais inconscientes e muito menos conscientes.
Procuro compreender essa divergência de entendimento.
A distância que separa quem sou do que sou está escondida no íntimo da minha alma, que jamais permitiu que essas duas escolhas fossem apreciadas com generosidade, à luz do entendimento.
Escondo minha história entre os pensamentos dúbios da minha consciência, que me traem a todo instante. Na verdade, quem pensa e age é minha inconsciência.
Preciso fugir das amarras dos vícios que, sem serem oferecidos pela vida, escolhi como meus, e que minha inconsciência, fantasiada de desejo e enfeitada pelo dourado, venceu, tornando-me um ser simples de pequeno valor.
Por mais que me esforce, percebo apenas minha inconsciência fazer parte da minha razão, que se diz lógica. É um sentimento mentiroso, o desejo de ter sem precisar, independentemente da minha indigência.
Os pensamentos conscientes são aqueles que, com insistência, rodeiam minha mente, de tempos em tempos, como imagens das ilusões descritas nas escrituras dos bons princípios, que esqueci de considerar e que são puras verdades.
Vou criar um labirinto de caminhos para enganar meus desejos.
Vou criar um arco-íris para esconder o pote de ouro da minha consciência.
Vou fazer chover pingos de verdade para lavar a face primeira da minha consciência.
Sei que os deuses da oferta perdem seu valor quando se oferecem. É a lógica do querer que, após saciada, faz com que não se queira tanto, até que outro desejo se aproxime.
Ciclo interminável do desejo de querer.
Vou esconder os fatos da realidade. Vou olhar um pouco além, descobrir onde mora a consciência do meu ser.
Não me interesso mais pelas coisas que sou; procuro o porquê de ser.
Por descuido, guardei apenas pedaços das minhas histórias, mas, por ironia, não criei laços para uni-las. Preciso juntá-las para saber por que estou aqui e por que sou o que penso que sou.
Segue-me, se quiseres, não com os olhos, não com os ouvidos, mas com o espírito.
Vou mostrar o que está escondido dentro de cada um de nós.
Vamos desfazer as amarras, deixar que o que carregamos se desfaça por si só e seja levado pelas fadas da vontade, entregue ao descarte dos viciados pelo desejo de ter.
Vamos começar a entender o que é precioso, não o que é preciso. Vamos cobrir-nos apenas com o que nos criou, e não com o que o tempo, com crueldade, nos vestiu e enriqueceu.
Há um instinto de sermos inconscientes sem perceber, porque estamos sempre procurando algo que não temos e queremos ter, sem compreender se essa escolha é importante. Quando o temos, perde-se o valor, e outro toma seu lugar, tornando-se um novo desejo.
Guardamos tudo o que temos, até o que um dia jogamos fora, aquilo que não queremos mais e depois pedimos de volta, só pelo desejo de tê-lo novamente.
Temos um espetáculo de sonhos, de coisas com o brilho do desejo, que nos seguem e nos pedem, e, pelo exagero, fazem-nos perder o dom de enxergar o que a consciência precisa, enquanto a inconsciência geme de vontade.
Pelas coisas que temos e não precisamos, tornamo-nos cegos às nossas escolhas, que, guardadas, servem apenas para dizer que temos.
Vou pedir que minha consciência me conscientize.
Na consciência, tudo já foi doado; nada se pede, tudo pode ser novamente oferecido.
Tua alegria e tua verdade são as habilidades de seres o senhor do teu domínio, que te mostram o valor de tudo o que tens e que já não é mais importante teres. É um novo desejo de ter, que se tornou uma nova verdade: o desejo de não mais ter.
És um ser que deve preparar-se para o início do princípio.
A consciência pede ajuda, pela sua simplicidade, para ser única e soberana.
O princípio é o zero em todos nós.
Toma consciência de ti, sente o que és, e verás que nada existe que não seja apenas matéria, que, mais tarde, será apenas pó.
Pensa em ti, leva teus pensamentos ao mais oculto das verdades, e verás que teu valor de existir é o maior presente que o universo pode te oferecer.
A consciência não guarda o que é teu, e o que precisas ainda não te foi mostrado; provavelmente ainda não soubeste compreender. Se não compreendeste e ainda desejas o que precisas, ainda não mereces ver a raiz da tua consciência.
Vou caminhar descalço, seguirei sem rumo, sozinho, escutando e jamais falando.
Vou procurar por mim; se encontrar, saberei que estou no caminho certo.
Hoje, todos caminhamos para não nos encontrar e, assim, sem perceber, seguimos um rumo onde há apenas um desejo enorme de ter.
Meu pensamento é triste, porque está contaminado com todos os sentimentos colados na minha mente, que, por pobreza, ainda não sabe separar o que se quer do que se precisa.
Pergunto:
Quem nunca teve medo de perder a própria consciência moral?
Quem nunca lutou contra sentimentos "menores"?
Vou impor uma ordem.
Só serão aceitos aqueles que vieram sem pedir, ficaram porque quiseram e partiram por escolha própria, sem a necessidade de agradecer.
São os chamados sentimentos rasos, criados nos primeiros instantes da vida.
A consciência é um estado de espírito único, que a alma usa para lembrar que a ideia da criação é uma extensão de um Deus.
A consciência é um recanto onde a alma sara as chagas que a inconsciência feriu, pelo direito que lhe cedeste.
A consciência é o espírito que a vida te entregou para compreender se tua bondade é um fardo ou uma joia, e é tua a escolha.
A consciência é tua alma no pensamento.
A consciência e a inconsciência escondem duas verdades, que teu espírito deve compreender e escolher como o melhor pensamento para tua jornada.
Procura tua alma gêmea, pois almas que se unem nunca se partem.
Se fores consciente, ela será distribuída para aqueles que, no caminho, encontrares e, por bondade e gratidão, ajudares.
Só assim serás escolhido para ter a consciência livre da inconsciência.
Não te torna um santo; agora és o que Ele espera que sejas.
Beijo minha consciência, porque preciso beijar minha alma.
Agora, perdi minha inconsciência.
E por quê? Porque o que me serve, já servi.
E por quê? Porque agora só me sirvo para os que me querem, e a esses permito ver minha consciência.
Para a minha consciência, eu peço: fica, não estejas longe dos meus olhos, pois, assim, se o fizeres, serei castigado pelo único sentimento menor que ainda me resta: a inveja.
Compartilhar este poema
Avalie este poema
Seja o primeiro a compartilhar suas reflexões sobre este poema.