O Pecado

Poema 7 de 73
O Pecado

O ato mais simples para trair nossa consciência é o pecado.

Perdemos a chance de sermos justos aos nossos princípios, e assim pecamos.

Estamos confusos pelo sentimento do pecado.

A referência se perdeu.

Os pecados são atitudes que nos consomem e nos roubam a vontade de lutar por aquilo que definimos como verdadeiro.

O pecado é cruel; sua dor vem antes do desejo e só desaparece quando a luz interior perde o brilho da necessidade.

Esquecemos os compromissos da vida com a gratidão, perdemos os gestos da bondade, estamos sós.

Nossas angústias são olhares de aflição e arrependimento.

O ato de pecar esconde-se covardemente na neblina escura e densa da nossa consciência, permitida por nós mesmos.

Acordamos ser próximos para sermos iguais, mas nossos olhos já não se cruzam.

Acordamos ser amigos para termos a chance de ajudar, mas nossas vozes já não se falam.

Acordamos ser iguais para termos igualdade, mas nossas vestes mudaram de cor.

Estamos cometendo o ato de pecar há longos anos.

O mal nasceu antes do bem, mas morrerá antes.

É fácil reconhecer o pecado em nossa mente desgastada pela vaidade, que sempre nos trai com uma consciência nebulosa, cegando os pensamentos e as decisões de fazer o bem.

Perdemos o caminho do entendimento e nos tornamos frágeis.

O pecado alojou-se brutalmente na nossa consciência, com uma verdade mentirosa, e poucos souberam como combatê-la.

É preciso ver e sentir o pecado para enfrentá-lo.

Esquecemos o respeito, a amizade, a tolerância e abraçamos a ganância, a crueldade e a inveja.

Estamos doentes pelos pecados, castigados por preconceitos, carregando escolhas sem valor e sem necessidade. É triste essa verdade que se oculta.

O abismo das consequências está aos nossos pés, escuro e tenebroso em seu destino. Este caminho é sem rumo, e estamos descalços.

Precisamos retornar à origem para sermos considerados almas irmãs outra vez.

Precisamos pedir que nossos bons sentimentos se reencontrem.

Colorir com o mesmo tom as vestes do coração.

Repintar os olhos com a cor da gratidão.

Vamos limpar o rosto da fuligem de erros que o tempo cobriu, dia após dia.

Façamos isso — a grandeza do ser humano está na beleza das igualdades, que o coração julgou serem as mais humanas.

Se não houver mudança e as feras do desejo do pecado continuarem soltas, peço à minha consciência que não nos abandone e que nos auxilie.

Não posso permitir que meus pecados me amedrontem.

Com os pecados, nós nos separamos, movidos pelo simples prazer do desejo egoísta, que nos conta uma mentira de verdades.

Faz-nos acreditar na alegria de viver sem pecar.

Que possamos compreender nossos pecados e perdoar os pecados que nos atingiram.

Precisamos abrir a porta da alma para um novo tempo de bondade e amor.

O pecado é a força do desejo desumano que trai nossa consciência.

O pecado é o símbolo da vingança escondida entre os desejos absurdos.

Perdoar é ser alguém novo, sem precisar ter a necessidade de ser como antes.

O desejo do melhor vem depois do sacrifício de saber calar a sua alma e esquecer os seus erros.

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