A Eterna Consciência

Poema 67 de 73
A Eterna Consciência

Debruçado sobre este portal de pensamentos já envelhecidos pelo tempo, não permito que o juízo da minha razão ultrapasse os limites da minha fé.

Caminho, sem desespero, guiado pela Providência Divina, em busca da morada final da minha consciência, que hoje exige de mim suas considerações.

É preciso haver um equilíbrio nessa nova forma de pensar. Encontrá-lo é necessário; usarei a minha resiliência a meu favor.

Eu tenho um instinto guardado na minha alma, que pede que eu aceite que a consciência seja o único e o último valor próprio que a existência aceita e declara como justo.

A consciência é o traço do meu rastro.

A consciência é a alma vestida com as escolhas da minha história.

A consciência me acompanha pelas sombras da minha alma.

A existência é a parte viva dessa minha história.

Minha consciência está camuflada pelo manto andante do destino e irá partir e retornar sempre, levando e trazendo minhas obediências e recordações.

Com ela, seguirão também os valores das minhas ideias, as referências da minha justiça e o meu senso de gratidão.

Minha consciência não terá conhecimento do meu sinal, apenas a sabedoria de um significado existencial, como resultado da forma livre que sempre tive de pensar e viver.

Seguirei livre, sem contradições, para um novo ciclo, uma nova era da existência, com uma consciência renovada de mim mesmo.

Ela será recriada e novamente avaliada, para então repetir tudo de novo, na esperança da aceitação das dores e dos prazeres que a mim foram doados, nos tempos que vão e voltam, eternamente.

É um ciclo de percepções que me guia como símbolo único da minha criação e recriação.

Viverei essa consciência repetida de tempos em tempos, em um ciclo interminável de renovação.

Fui, um dia, o ser de uma unidade que, por vontade própria, se multiplicou, para depois se desfazer com o mesmo propósito que o destino chamou de evolução.

Sou pó que o tempo guarda e me faz surgir de época em época, sem que haja uma relação a ser declarada, a não ser o desejo da eternidade.

É o eterno destino que minha consciência obedece e segue, sem que se perceba um desânimo do tempo.

As demais percepções que porventura tenho são uma ilusão, com a qual o tempo me confunde, pela ingenuidade que carrego, pelas tradições de minhas histórias guardadas e pelos erros do meu passado já escrito.

Não há mais esperança em revê-las, já se foram.

Sonhos se perderam, amores foram esquecidos e os medos já são ausentes, nesta história em que o tempo da existência em ciclos não para.

Verei como meus caprichos foram ingênuos; minhas vontades, irrisórias; meus pertences, uma ironia que me vestiu de palhaço e gargalhou das tolas vontades pelas quais lutei.

Ficarão minhas coisas menores, as mais importantes, algo que pertence somente à minha alma, carregado pela consciência, sem a cruz da minha marca, sem a epígrafe da minha história, apenas um "sim" que se torna a exigência para a época de um novo retorno.

A consciência me ignora com todos os termos que peço e promete me devolver renovado na próxima esfera do tempo.

Serei eu, uma consciência sem nome, mas com os princípios primordiais de uma natureza carregada de sabedoria e gratidão, que a eternidade guarda com o propósito de um novo ser.

Serei eu, esta pequena centelha Divina que me acompanhará e que terei de levar, sem peso, cheiro ou cor, apenas formada pela consciência da minha existência, para me guiar nesse espaço chamado "a legião da energia pura".

Serei criado e recriado pelo perfume das ideias, forjado pela lógica da simplicidade e marcado pela cruz da verdade das coisas.

Serei uma calma que se perde no sentimento da espera; uma leveza que me transporta para além da extensão do tempo; e um sofrimento que se dobra perante a nulidade da dor.

Serei, agora, parte de um espectro de suaves balanços, seguindo um rumo que, mesmo desconhecido, é o único a ser considerado.

Serei, agora, um todo em um único momento, um suspiro que se espalha em espaços onde o tempo, por humildade, se esconde pela ausência da necessidade e pelo entendimento da verdade, que se firma pelo direito de ser.

Buscarei e terei, agora, apenas os valores dos iguais que a eternidade do universo exige e registra.

Minha consciência será guardada pelos braços do destino e carregada por capricho, apenas para sintetizar o ser humano que um dia em mim existiu.

Minha história me denuncia, para que eu tenha o prazer de me ver desaparecer e aparecer de novo ao suspiro do tempo.

Para os que me aceitam e me entendem, peço ao Divino que a consciência eterna seja o refúgio de nossas esperanças, guardadas como o segredo de nossa existência.

E quando o tempo se recolher em silêncio, será a consciência que permanecerá como testemunha. Não dos erros ou das vaidades, mas da verdade simples de ter existido.

Assim, cada retorno será apenas um novo capítulo da mesma infinita história, escrita pelas palavras da alma e guardada pelas vozes da eternidade.

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