A Natureza da Percepção

Poema 65 de 73
A Natureza da Percepção

Às vezes, o que o pensamento julga ilusão, o instinto consagra como verdade — quando a verdade é apenas o desejo cego de abraçar a própria ilusão.

Pensar é vital, mas meu pressentimento sussurra dúvidas. Escuto com cuidado, pois o que vejo me engana, e o que ouço me guia.

Minhas vontades são puras, mas escolho com precisão as palavras que entrego.

Meus conselhos, discretos e sinceros, são oferendas da minha honestidade — para quem os busca, livres da obrigação de aceitá-los.

Minhas lembranças choram, meus desânimos sussurram, minha raiva ecoa erros.

O tempo é sombrio, e dúvidas me cutucam sem trégua. No silêncio, encontro refúgio.

O tempo é estéril, minha garganta seca. Falar me faz vivo, mantém acesa a voz que guia os que me seguem.

Mas o tempo é cruel: verdades são silenciadas, e o que me fere persiste, imutável.

Meus olhos traçam caminhos, mas o medo e a dúvida desviam meus passos.

Tenho certeza: um grito rasgará o silêncio, e outro o seguirá, trazendo a dor que celebra sua vitória.

Os ruins, astutos, tramam nas sombras, esquivando-se da justiça.

Caminharei em círculos até encontrar os culpados — figuras sem valor, marcadas pelo fedor da falsidade.

Deixarei pegadas na relva, minha presença gravada para o dia do ajuste.

Não tropeçarei mais. Em pé, conquisto respeito.

Prometo rir das ilusões que a infância me fez engolir.

Prometeram-me paz, mas ouço apenas gemidos e dores que me sufocam.

O vento desvia minhas ideias, e não há abrigo contra esse descaso.

Este tempo não me calará. É vil o que fazem, é desamor ao próximo.

Cultivarei cobras, colherei espinhos e lançarei veneno nos rostos dos ingratos.

Eles riem, zombam, celebram vitórias efêmeras.

Sigo meu caminho, implorando ao tempo por socorro. Traições me asfixiam.

Os dias se repetem: erros gritam nos ouvidos, explodem nos olhos.

Atos de loucura desafiam a razão, mas há verdades escondidas nas memórias, reveladas apenas pela fé.

Memórias se escondem no tempo, testemunhas de que tudo pode existir — ou desvanecer.

Sonhos nos traem, mas um pensamento só ganha vida na mente de um justo, livre.

A justiça, sem forma ou cor, é a balança que silencia a dúvida.

Fujo da aflição e do tempo de anarquias, que semeia discórdias.

Covardes me cercam, mas não me renderei à sombra do conformismo.

Em tempestades, mantenho os olhos abertos — decisões exigem clareza.

Pés descalços não são fraqueza; são a escolha de mover-se em silêncio.

Pela nossa alma, eu te imploro: quando a liberdade está nas mãos de poucos, é uma verdade perigosa que aceitaste.

Tua liberdade é tua essência, inegociável.

As palavras dos traídos destilam discórdia; suas ideias, o veneno do pecado.

A tempestade que criam é um véu para nos cegar, para que esqueçamos a liberdade que nos formou, perdida pelo nosso excesso de bondade.

A história nem sempre trilha o caminho justo. É o retrato do tempo, escrito por nossas mãos no livro da vida.

O caminho está aberto. Inscreve nele gratidão e solidariedade — verdades que o tempo desvela.

Caminharei sobre pedras, oferecendo o que há de melhor em mim.

O sacrifício é inevitável; a liberdade se paga com sangue.

Nascemos para sofrer, mas também para sonhar.

As histórias da vida, carregadas de todos os sentimentos, são o espelho da alma.

Vou sonhar, fugir por instantes desta realidade, entre colinas de um paraíso fugaz.

Será possível?

Qual Deus ousaria responder?

Sem repouso, minhas vontades se desfazem.

Em tempos perigosos, onde se odeiam por migalhas e cobiçam tudo, abandonando a criação.

Vou esperar — talvez encontre quem me salve, ou a quem eu possa salvar.

Erguerei os que tombam pelo caminho, faltando-lhes até um gole d'água.

Vou buscar alguém para abraçar. O demônio vê um, nunca dois.

Juntos, somos a luz que o demônio teme.

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