Olhos do Perdão

Poema 6 de 73
Olhos do Perdão

Vejo um medo que caminha risonho no tom da tua voz.

Vejo uma sombra da vida temida que te cega e te guia sem luz.

Vejo o que foge dos teus olhos, pousa nos teus ombros e te curva sob teu peso.

Os olhos do perdão carregam os sentimentos da inocência, da humildade e da força da bondade. Os olhos do perdão são a espada de luz que pode te salvar.

São os olhos do perdão que iluminam, com o brilho da verdade, os desejos da alegria, a certeza de uma vida de dignidade e bondade.

Ter os olhos do perdão exige primeiro a consciência de desfazer e curar as amarras dos erros cometidos e das feridas não perdoadas.

Aqueles que padecem por não terem os olhos do perdão estão cobertos de vaidade e ódio, e suas visões agora carregam a amargura da raiva abraçada à intolerância e à injustiça.

A história do nosso tempo se desgastou: inverteram os princípios morais do mundo vivo, esmagaram sem arbítrio o sentido da ética e dos conceitos de justiça. Precisamos de um sentimento puro ao nosso lado. Os olhos do perdão são a expressão máxima da bondade. Hoje, no nosso mundo, há muito a ser perdoado.

Os olhos do perdão choram com lágrimas de cristal.

É a imoralidade que abraça uma nova sociedade nascida de desejos desnecessários e criada no mundo dos egoístas.

Hoje, a vaidade reina como mãe soberana de todos os princípios, determinando a arrogância do valor concedido a esse novo ser humano.

É a crença, na verdade, ingênua, que se desfaz.

Caminhos ásperos te esperam num rumo incerto. Tempestades se formam num horizonte escuro e raivoso. As névoas densas do tempo não te permitem corrigir o verdadeiro rumo. Teus olhos estão cegos.

O tempo está incerto e nebuloso. As incertezas colam-se à tua mente. O espírito do mal é cruel e vingativo.

Tenha calma.

“Não te curves; segue para o caminho livre do horizonte que te busca com as pernas de um gigante.”

“Abre os olhos do perdão, desperta a luz da tua mente, refaz o caminho dos anjos, impõe um novo ritmo e auxilia os enfraquecidos a seguirem teus passos. É preciso salvar todos os que o desejam e encontrar um novo sol com um novo brilho”.

Terás o sinal da justiça e da bondade, lavrado pelas mãos do Senhor, e tua alma terá o sorriso da alegria.

Ou, então, serão as lágrimas da derrota que caminharão por tua face e pousarão no chão, onde se desfarão num perpétuo silêncio.

O homem não é o senhor do tempo; o destino, sim.

O perdão é o senhor da consciência; os olhos serão olhos do perdão se o sangue que te faz vivo for a chave que abre o portão da tua alma.

Os olhos do perdão são o olhar divino que cada um de nós possui, para ser usado em nome do perdão.

Compartilhar este poema

Avalie este poema

Comentários dos Leitores

Seja o primeiro a compartilhar suas reflexões sobre este poema.