A história de mim mesmo

Minha consciência perde-se envolta pelo perfume desta noite que me cobre. As luzes do universo abençoam-me e guiam-me.
O universo cobre minha cabeça, e meus pensamentos agitam minha alma.
Caminho entre a dúvida e a gratidão, implorando pelo bem maior: o direito à continuidade da vida.
Estrada iluminada de estrelas, que brilham e piscam no céu, por necessidade e desejo, afogam-me de prazer.
Meus olhos, por obrigação e paixão, seguem as luzes, com os pés refrescados pela relva macia e úmida que me sustenta.
Neste tempo de dúvida e gratidão, o espírito da vida não me consola, mas também não me abandona.
Sem dever ou direito, apenas me observa, sem me criticar.
Eu prometo:
Para florir, é preciso encantar.
Para encantar, é preciso chorar.
Para chorar, é preciso viver.
Para viver, é preciso sentir.
Para sentir, é preciso coragem.
Sem coragem, é preciso morrer.
Assim ficou prometido.
Pecados trancados, chave no passado, jamais esquecidos pelo desejo da alma, percebidos na falta do prazer pela lembrança.
Prisioneiros de um tempo, nunca libertados, sempre perdoados, para uma vida que, nos meus sonhos, perdi.
Sonhos pesam; meu espírito gemeu, e eu, aflito, cedi, sem perceber.
Os encantos que a alma já não sentiu renderam-se aos desejos de qualquer vontade, pelo preço que pouco vale, pela verdade que pouco se quer.
Minhas necessidades cresceram na infâmia, que se revelará sem as vestes da pura verdade.
Onde a mentira reina, a verdade esvazia-se; é o manto da vergonha que te esconde.
Enganar os desejos?
É um pecado mortal.
Órfão dos instintos, abandonado por inteiro, o nulo predomina neste lema que a vida canta e espanta.
Pela dor, meu espírito partiu-se; meu perfume desfez-se no ar. A eternidade é agora minha casa.
Mas espera por uma nova chance que o vento te trará, uma verdade que te oferecerá, sem o presente do pecado.
A alma é namorada pela minha vontade; grita e chora o coração que a corteja.
Os risos de esperança, os ecos da verdade, são coisas que o tempo considerará.
Batalhas perdi, mas outras virão.
Ser melhor é a vontade do meu coração.
Vencer não é só ideia ou paixão; é necessidade.
Mas princípios são verdades, sem compaixão.
Vive-se pela esperança, não pela força bruta.
A alma resmunga o que a culpa escuta e ladra.
Mentiras crescem, caridades somem, desejos dissipam-se.
A ganância devora por prazer o que o homem implora por amor.
O tempo ignora minhas limitações e exige de mim o sacrifício, pago pela dor que não se mede, aplaudida com risos.
Olhos cegos, cores em confusão.
Pernas que tropeçam pela dor do meu tempo castigam-me no chão.
Sons embaralhados por afinidade perdem-se no tempo.
Refaço meus instintos e desejos na adversidade.
Covardes espreitam, buscando erros a consertar.
Lembranças de quem a vida cuidou levar-me-ão ao melhor lugar: alma cansada, direito de sonhar.
Calma, peço que nada me distraia.
Como águas, sigo para o melhor destino.
Piedade, segue-me, chave na mão, peito em segredo, guardado pelo coração.
Um ciclo de carinho em redenção reparte pedaços para os amigos que são e nada me devem.
Segredos guardados, a alma murmura.
Somente a alma fala do perdão que cura.
A cura que se pede e agradece para cada perdão concedido.
O tempo esconde a bondade primeira; é a alma, aflita, que lhe desabafa.
A decadência moral sangra a face, desfigura a beleza, realça o ódio.
Homens de bem, feridos na espera, aguardam o destino que decidirá.
Ciclo de vida que grita por mentiras não sinceras.
Sobre suas chagas, a verdade esconde-se.
Ausência desejada, dos martírios que se foram, mas alma escolhida pela história que contou.
Assim, sigo pelos traços do destino, agasalhado de razão, despido de emoção.
E quando o destino me chamar para o silêncio, quero que minha alma seja lembrada não pelos erros, mas pela coragem de continuar.
Pois viver é cair e levantar, perder e aprender, sofrer e agradecer.
A história de mim mesmo é, no fim, a história de todos: um caminho feito de luzes e sombras, mas sempre guiado pela vontade de ser melhor.
Pelas bênçãos da vida que, por direito, escolhi.
Por ela, não me desfaço; por ela, amparo-me.
Compartilhar este poema
Avalie este poema
Seja o primeiro a compartilhar suas reflexões sobre este poema.