Fé e Razão

Poema 5 de 73
Fé e Razão

Se existem dois princípios, é porque há uma escolha.

Se há uma escolha, será que existe uma única verdade?

A verdade da razão não exclui a fé, tampouco o sentimento da fé nega a existência da razão.

A razão não é o espelho da fé, pois a imagem no espelho é o oposto da verdade. Assim, os dois princípios são verdades de uma mesma verdade.

Na harmonia entre fé e razão, descubro que não existe oposição, mas plenitude: é nesse encontro que a vida se revela como dom e destino, iluminada pela esperança e sustentada pela verdade.

Fé é o lenço que enxuga as lágrimas do coração.

Razão é a luz que ilumina o caminho da consciência.

Fé é o vento que espanta o medo.

Razão é a veste que faz brilhar a realidade.

Fé é a mão de Deus no meu ombro.

Razão é a mão do destino na minha vida.

Fé e razão são irmãs, o manto sagrado da paixão que me cobre com a doçura da esperança e a sabedoria da verdade.

Pode-se fugir de uma ou de outra, mas não de ambas.

Elas são os olhos que me guiam, com a delicadeza do entendimento e da paz, ao lar dos meus pensamentos e da minha consciência, que me permitiram compreender o princípio e a necessidade da minha vida.

Juntas, elas me conduzem, sem atalhos, ao espaço eterno da minha existência.

O afeto adoça a fé; o conhecimento protege a razão.

A fé escuta o que a razão proclama, e a razão compreende o que a fé guarda.

Os caminhos da fé e da razão são os passos que a alma e o corpo, iluminados pela beleza da consciência e do dever, seguem rumo aos princípios do direito à vida.

Vem, Senhor, caminhemos com as mãos da razão e a fé no coração.

"És único, teus valores são únicos; não perturbes a doçura da fé com os poemas da razão".

"Tenhas paciência; o melhor ainda não te foi permitido compreender".

No silêncio da fé e na penumbra da razão, encontra-se a face de Deus.

E é na face de Deus que percebemos os olhos da gratidão.

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