Fé e Razão

Se existem dois princípios, é porque há uma escolha.
Se há uma escolha, será que existe uma única verdade?
A verdade da razão não exclui a fé, tampouco o sentimento da fé nega a existência da razão.
A razão não é o espelho da fé, pois a imagem no espelho é o oposto da verdade. Assim, os dois princípios são verdades de uma mesma verdade.
Na harmonia entre fé e razão, descubro que não existe oposição, mas plenitude: é nesse encontro que a vida se revela como dom e destino, iluminada pela esperança e sustentada pela verdade.
Fé é o lenço que enxuga as lágrimas do coração.
Razão é a luz que ilumina o caminho da consciência.
Fé é o vento que espanta o medo.
Razão é a veste que faz brilhar a realidade.
Fé é a mão de Deus no meu ombro.
Razão é a mão do destino na minha vida.
Fé e razão são irmãs, o manto sagrado da paixão que me cobre com a doçura da esperança e a sabedoria da verdade.
Pode-se fugir de uma ou de outra, mas não de ambas.
Elas são os olhos que me guiam, com a delicadeza do entendimento e da paz, ao lar dos meus pensamentos e da minha consciência, que me permitiram compreender o princípio e a necessidade da minha vida.
Juntas, elas me conduzem, sem atalhos, ao espaço eterno da minha existência.
O afeto adoça a fé; o conhecimento protege a razão.
A fé escuta o que a razão proclama, e a razão compreende o que a fé guarda.
Os caminhos da fé e da razão são os passos que a alma e o corpo, iluminados pela beleza da consciência e do dever, seguem rumo aos princípios do direito à vida.
Vem, Senhor, caminhemos com as mãos da razão e a fé no coração.
"És único, teus valores são únicos; não perturbes a doçura da fé com os poemas da razão".
"Tenhas paciência; o melhor ainda não te foi permitido compreender".
No silêncio da fé e na penumbra da razão, encontra-se a face de Deus.
E é na face de Deus que percebemos os olhos da gratidão.
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