Minha conversa com Deus

Poema 47 de 73
Minha conversa com Deus

Cheguei; permite-me respirar, preciso.

Cheguei; permite-me acalmar, agradeço.

Cheguei; permite-me meditar, tenho medo.

Não vim com pressa.

Peço que tenhas paciência, que sejas doce e me abraces.

Fui tua testemunha, tua alma irmã, tua esperança, teu aliado.

O que sou foi por tua escolha, por teu desejo e por minhas decisões.

Fomos unidos pelos atos da virtude e pelo amor ao próximo.

Apaga-me, Senhor, as memórias da injustiça e serve-me com o cálice do teu perdão.

Recolhe-me dos meus pecados e perdoa-me com as preces que te ofereço.

Pelos arcos dos anos que a vida me ofereceu e pelo teu desejo de que assim fosse, agradeço este horizonte em flores que me ofereces como prêmio de tua bondade.

Perfumes de adoração e sons adormecem esta alma que agradece o compromisso assumido e agora cumprido.

Ancorei minhas preces na esperança de que me vejas com a face da minha simplicidade. Que meus valores sejam os passos que me permitam seguir adiante e sorrir perante Ti, Senhor.

Senhor, dá-me conforto, pois trouxe-te esperança. Dá-me alegria, pois trouxe-te paz. Dá-me teu perdão, e eu te dou meu coração. São estas as minhas preciosas oferendas.

Senhor, se minhas palavras forem frágeis, que tua luz as fortaleça. Se meus passos forem incertos, que tua mão os conduza. Pois sei que não caminho só; cada instante de minha vida foi moldado pela tua presença silenciosa, que me sustentou mesmo quando não percebi.

E quando minha voz não mais se erguer neste mundo, que ela permaneça viva em tua eternidade.

Somos parceiros. Estamos presos pelas grades da alma na eternidade do tempo.

Não me importo com o tempo; confio pelo que vivi.

Não me importo com o julgamento, pois sei quem será o julgador.

Não me importo com a foice da justiça, pois respeitei os princípios.

Vem, vamos, antes que meus olhos fiquem cegos, meus ouvidos surdos e minha boca se cale para esse novo tempo, que foi prometido e com glória será.

E quando o tempo se encerrar e meus olhos se fecharem para este mundo, que eu desperte na luz do teu olhar. Que minha alma encontre repouso no teu abraço, e que minha voz, já livre das limitações da carne, se una ao coro eterno dos que te louvam. Pois tudo o que fui, tudo o que vivi, tudo o que sonhei, estávamos lado a lado.

Meu trabalho foi simples, pois o fiz sem a necessidade de ser perdoado.

Se o destino é o descanso, descansarei.

Se o destino é servir, servirei.

Se o destino é proteger, irei, de alma em punho, proteger.

Servi no que pude. Fui servido no que mereci.

Que a lembrança do tempo seja minha coroa, que me permita juntar-me a ti.

Compartilhar este poema

Avalie este poema

Comentários dos Leitores

Seja o primeiro a compartilhar suas reflexões sobre este poema.