A Solidão

Poema 44 de 73
A Solidão

Uma esperança perdida; não a encontrei.

Uma caminhada sem destino; perdi-me.

Uma saudade sem notícias; nunca chegou.

Como fogem os pensamentos na hora da solidão?

Caminharei cego e só, mas encontro conforto no lugar onde me criei e na consciência que me protege dos tropeços e erros. Confiarei nela.

Meu cansaço é minha dor; minha dor é não entender por que falhei e por que não percebi.

Preciso abrir espaço neste mundo que me esconde. Preciso ser compreendido, ser notado; minhas ideias precisam existir.

Estou atento, com os olhos do coração e a consciência da alma, em busca das respostas perdidas.

Preciso ajudar a fortalecer os direitos e deveres de todos, cuidar dos injustiçados, apaziguar a tristeza dos incompreendidos, trazer espírito e luz à face dos amedrontados.

Preciso ser procurado por aqueles que necessitam de minha ajuda; talvez seja importante.

Ainda não respondo às vozes que me ocultam a verdade. Estou além do tempo, seguirei meu próprio destino.

A mentira não me interessa.

A mentira sempre usa vestes caras e caminha com os pés cobertos, envergonhada de ser notada.

A mentira esconde a solidão; a solidão repinta a mentira com as cores da verdade.

Ser só não é estar só. Só é só se for o só que te alimenta e te nega, mas não te aprisiona. Assim, não estás só.

A solidão começa nos sonhos, rasteja pelas vontades e adormece quando, por fraqueza, entrega a alma ao tempo do depois.

É preciso lutar; ainda somos alguém.

A solidão, quando te encobre com seu delírio, é desaforada, coloca-te no tempo da fantasia e da cilada.

Vento do tempo, traze-me ao presente; é aqui que ainda pertenço, onde tenho meus desejos e o direito à voz.

Quero latir com os cães; serei louco, mas não serei só.

Quero comer com os lobos; serei louco, mas não serei só.

Quero sonhar; não serei louco nem só.

A solidão que me protege é a mesma que um dia me fez louco pelos anseios perdidos da vida.

Não venhas, espírito da solidão, se minha alma não estiver com as mãos estendidas.

Vivo o eterno, abraço os fracos, beijo os esquecidos, amo os desesperados e peço que minha alma tenha força para ser o caminho na esperança dos loucos perdidos.

Vem, saudade, fica com ternura e parte com delicadeza; teu retorno estará protegido pelas lágrimas floridas do meu coração.

Afasta a ignorância; ela é o caminho mais curto para o erro.

A água sempre corre para encontrar um caminho que a leve ao remanso da paz.

É preciso encontrar a paz.

Todos precisamos encontrar a paz.

Faz o mesmo: cria teu caminho, traça teu trajeto, encontra teu remanso. A solidão não te verá; és perfeito para os amores que encontrarás.

Olha sempre para quem te olha, fala por quem te fala, abraça quem te abraça e, pelo princípio da bondade, estarás logo ao lado de quem te ama.

Todos fomos solidão um dia; é nessa hora que fazes tuas melhores escolhas.

Na solidão da paz, florescem os melhores pensamentos, limpos por natureza.

Conserva teu direito de escolha.

Ergue a cabeça.

Não sejas rico; sê justo e bom.

Não sejas pobre; sê bom e justo.

Não sejas o que não deves ser; sê o que é preciso ser.

Minha solidão, quando por escolha, pode ser meu conforto, onde encontro as palavras que me fazem criar magia neste mundo inquieto, aflito por fome de paz e justiça.

Há um sol que brilha atrás dos teus olhos; chama-se consciência livre. Permite que seu brilho te abrace e te guie.

Verás que tua solidão é passageira e, se quiseres, poderás afastá-la com teus pensamentos.

Tenha orgulho do teu espírito, e terás respeito pelo tempo.

Abraça os desejos, aceita as imperfeições; isso é saber viver as angústias e vencer o desafio da solidão.

Se fores uma pessoa livre, teus pés não te faltarão.

O espírito da solidão é como os ventos do inverno: tem sua hora e seus motivos, mas logo termina, e um novo tempo florirá teus caminhos.

A primavera chegará, trazendo seus perfumes e cores, uma nova chance de ser feliz.

Não te aflijas se amanhecer sem o sol; teu brilho está na tua consciência, e teus delírios, no teu coração.

Vem, solidão! Encontrarás uma alma que não se dobra à tristeza nem se lamenta pela ocasião.

Tu foste e serás sempre uma ocasião de ti mesmo; é o que te sustenta.

Na quietude da tua solidão, encontrarás o segredo da tua existência e o valor da tua vida.

A solidão é o espelho onde a alma se vê sem máscaras.

Compartilhar este poema

Avalie este poema

Comentários dos Leitores

Seja o primeiro a compartilhar suas reflexões sobre este poema.