A Alma e o Corpo, uma Reflexão

Ainda que eu resista às mudanças deste tempo inesgotável para o corpo, mas nunca para a alma, esforço-me para manter meu jeito e meu estado de espírito.
Uma alma inquieta que, a todo momento, pede gratidão.
Meu corpo, por instinto, clama por proteção.
Segue um corpo e uma alma em paz.
A paz é essencial para ambos.
Minha alma, que bate à porta nos tempos de cegueira e claridade.
Meu corpo, que pede asilo para sanar as dores das lutas vencidas e perdidas.
Agasalha-me; ambos sentem os pés inchados, implorando por descanso.
Corre meu pensamento, entre o medo e a coragem.
Correm minhas orações, da agonia à dor.
Caminharei; penso melhor assim.
Risos e lágrimas alcançam-me por distração; terei recordações.
Preso pelo tempo, meu corpo tem o direito ao sentimento.
A verdade, em si, é única.
Peço:
Tem piedade de mim; minha alma julga-me com sua consciência.
Confiarei nas duas razões da vida, no direito à contradição.
Corpo que me sustenta e responde aos sentidos da vida.
Alma que me privilegia com o dom da consciência.
Se me segues, não me abandones.
Se me curas, não me faças sofrer.
Se me queres, mostra-me para onde ir.
Alma, mantém em chama minha verdade.
Corpo, dá paz à minha consciência.
Cubro os olhos do corpo, pois a alma sabe onde me levar.
Uma alma que pede é uma alma que sofre.
A dor começa na alma e termina no mesmo lugar. Meu corpo é apenas testemunha do erro que se comete.
Não culpes a alma, eterna sinfonia da maravilha, que o tempo há de guardar. Um testemunho precisa ser escrito.
O corpo segue; seu limite é seu destino.
Apressa-te em compreender: tua alma é teu senhor, teu corpo, teu alimento.
Tenha sempre em mente: um dia, o corpo se perde, e a alma será o instinto do teu eterno tempo.
O corpo que sofre arranha e fere a alma que chora.
Queres paz? Acredita na bondade; o corpo será abençoado pela alma, que sorrirá.
Hoje, poucos pensam na alma; os desejos do corpo foram agigantados pelos instintos mais baixos.
Caminharás sobre pedras ou sobre relva; essa escolha é ditada por teus princípios.
Teus passos são tuas histórias.
Queres ver tua alma? Beije teus inimigos.
Queres ver teu corpo? Use tuas mãos.
Rabiscarei meus versos para expressar o sentimento de gratidão à alma que me segue, conforta e me dá esperança, e ao corpo que me sustenta e comigo dança.
Usarei o corpo apenas como princípio da existência.
No final, não será mais por escolha, mas por eternidade: terás alma, mas não corpo. Assim sempre será.
Se o fim dita o que sempre resta, por que não agradar ao que será eterno?
Na verdade, o corpo existe apenas para chancelar as virtudes da alma, que a eternidade criou por escolha do destino da vida.
O espelho da alma não distorce o contorno do corpo; sua imagem são os pensamentos e as bondades que o corpo ofereceu pelas histórias que criou.
Uma realidade não encobre os erros; uma eternidade não os esquece.
Cria em ti um desejo de bondade e permite, sem aflição, o destino de um agrado.
Minha alma será sempre o privilégio que terei, por este tempo que meu corpo, por direito, me ofereceu.
Amo ambos pelas essências que cada um, por juízo, foi destinado a existir.
Por permissão, meu corpo beija minha alma; ela responde com o sorriso da lealdade.
E quando o tempo decidir separar o que hoje caminha lado a lado, espero que a alma leve consiga o perfume da bondade que o corpo cultivou. Assim, mesmo sem forma, ela continuará a dançar no eterno, lembrando que viver foi mais do que existir: foi amar, agradecer e aprender.
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