A Alma e o Corpo, uma Reflexão

Poema 43 de 73
A Alma e o Corpo, uma Reflexão

Ainda que eu resista às mudanças deste tempo inesgotável para o corpo, mas nunca para a alma, esforço-me para manter meu jeito e meu estado de espírito.

Uma alma inquieta que, a todo momento, pede gratidão.

Meu corpo, por instinto, clama por proteção.

Segue um corpo e uma alma em paz.

A paz é essencial para ambos.

Minha alma, que bate à porta nos tempos de cegueira e claridade.

Meu corpo, que pede asilo para sanar as dores das lutas vencidas e perdidas.

Agasalha-me; ambos sentem os pés inchados, implorando por descanso.

Corre meu pensamento, entre o medo e a coragem.

Correm minhas orações, da agonia à dor.

Caminharei; penso melhor assim.

Risos e lágrimas alcançam-me por distração; terei recordações.

Preso pelo tempo, meu corpo tem o direito ao sentimento.

A verdade, em si, é única.

Peço:

Tem piedade de mim; minha alma julga-me com sua consciência.

Confiarei nas duas razões da vida, no direito à contradição.

Corpo que me sustenta e responde aos sentidos da vida.

Alma que me privilegia com o dom da consciência.

Se me segues, não me abandones.

Se me curas, não me faças sofrer.

Se me queres, mostra-me para onde ir.

Alma, mantém em chama minha verdade.

Corpo, dá paz à minha consciência.

Cubro os olhos do corpo, pois a alma sabe onde me levar.

Uma alma que pede é uma alma que sofre.

A dor começa na alma e termina no mesmo lugar. Meu corpo é apenas testemunha do erro que se comete.

Não culpes a alma, eterna sinfonia da maravilha, que o tempo há de guardar. Um testemunho precisa ser escrito.

O corpo segue; seu limite é seu destino.

Apressa-te em compreender: tua alma é teu senhor, teu corpo, teu alimento.

Tenha sempre em mente: um dia, o corpo se perde, e a alma será o instinto do teu eterno tempo.

O corpo que sofre arranha e fere a alma que chora.

Queres paz? Acredita na bondade; o corpo será abençoado pela alma, que sorrirá.

Hoje, poucos pensam na alma; os desejos do corpo foram agigantados pelos instintos mais baixos.

Caminharás sobre pedras ou sobre relva; essa escolha é ditada por teus princípios.

Teus passos são tuas histórias.

Queres ver tua alma? Beije teus inimigos.

Queres ver teu corpo? Use tuas mãos.

Rabiscarei meus versos para expressar o sentimento de gratidão à alma que me segue, conforta e me dá esperança, e ao corpo que me sustenta e comigo dança.

Usarei o corpo apenas como princípio da existência.

No final, não será mais por escolha, mas por eternidade: terás alma, mas não corpo. Assim sempre será.

Se o fim dita o que sempre resta, por que não agradar ao que será eterno?

Na verdade, o corpo existe apenas para chancelar as virtudes da alma, que a eternidade criou por escolha do destino da vida.

O espelho da alma não distorce o contorno do corpo; sua imagem são os pensamentos e as bondades que o corpo ofereceu pelas histórias que criou.

Uma realidade não encobre os erros; uma eternidade não os esquece.

Cria em ti um desejo de bondade e permite, sem aflição, o destino de um agrado.

Minha alma será sempre o privilégio que terei, por este tempo que meu corpo, por direito, me ofereceu.

Amo ambos pelas essências que cada um, por juízo, foi destinado a existir.

Por permissão, meu corpo beija minha alma; ela responde com o sorriso da lealdade.

E quando o tempo decidir separar o que hoje caminha lado a lado, espero que a alma leve consiga o perfume da bondade que o corpo cultivou. Assim, mesmo sem forma, ela continuará a dançar no eterno, lembrando que viver foi mais do que existir: foi amar, agradecer e aprender.

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