Minhas Palavras

Poema 36 de 73
Minhas Palavras

Palavras, o grito da alma que rompe o silêncio.

Eu as tenho; são minhas.

Eu as falo; escutem-me.

Eu as crio; ofereço-as.

Vestido de bronze, tenho o coração feito do doce do mel.

Com mãos de prata, estendo-me às almas que me desejam.

Percebo o injusto ocupar o trono com a espada e a máscara da mentira.

Olho em volta: a tristeza é interminável.

Rogo por ajuda; respondem-me com calúnias.

Peço, por gentileza, que fechem os meus olhos.

Procuro pelo belo; vestem-no com o traje do mascarado.

Os inocentes, assustados, encolhem-se, definham de medo. Por favor, tiraram-lhes a esperança e deixaram o martírio.

A risada não é de alegria; é para a honra devorada crua.

A risada não é de coragem; é da anarquia que empresta o palco a um teatro inacabado.

As boas palavras escondem-se, envergonhadas. Seus ouvidos já não se prestam; seus olhos fixam o chão.

Mundo estranho, onde a alma é vendida a preço de perfume comum.

Ouço minhas palavras, e eles não me ouvem.

Outras vezes, as pessoas ouvem-me, e eu não as ouço. Por quê?

Escrevo, e elas se admiram. Então, ajuda-me a prosseguir. O caminho é pesado; se for só, irei, mas não terás mais lembranças. Luta ingrata, perdi.

Não sei mais falar; a voz, cansada, silencia, sem gritos, só sussurros.

Não há explicação. O destino é sempre senhor; acuso-o e aceito-o.

Convoco todos a testemunhar: só a verdade importa.

O mundo está calado, perdeu o tom, repartiu o nada. Sua alma será perdida neste mundo que inverte os conceitos de decência e bondade.

Tenho dó; o encanto se foi. Um ruído de maldade murmura. Percebo, perco as forças. O coração clama por um leito; preciso repousar.

Falarei o possível, sem gritos. As pessoas caminham tortas, sem rumo, distraídas, secas de ideias, cabelos desalinhados, sem balanço.

Muitos, paralisados diante de uma plateia que foge dos valores, são indelicados.

Uma nova lei está em julgamento.

Temos deveres. Vamos melhorar o ritmo desta vida, prevenir o pecado, agradecer nossa existência.

Por força, as palavras desconexas caminham avessas, promessas de risos que logo serão afogadas pela dor da ilusão e do medo.

Sejamos melhores; nossa alma pede socorro. Saia! Um dia na vida é muito para ser desprezado.

Não compreendo a lógica: só o poder tem validade?

Não é minha consciência que se foi; a desilusão enfraqueceu-me. Não posso perder, não podemos perder.

Sinto falta da união, do lado a lado. Vamos, que eu também vou.

Ela carregava apenas uma bandeira, como sinal de luta. Idosa pediu ajuda, negada por todos.

Uma prisão a acolheu, castigo de anos. Prisioneira, será esquecida, se os esquecidos da ajuda formos nós. Não é merecido. Covardia.

A sentença, sem susto, cumpre-se. Dito e feito.

O engano não pertence à honra; despreza-a.

A honra não pertence à índole; engana-a.

A índole não pertence à justiça; amarga-a.

A justiça camufla o pecado; vitória ilícita.

Se não me compreendes, afrouxarei os versos, mas não os sentidos.

O mal está próximo; percebo seu cheiro, sua forma de falar, o delírio que seus olhos carregam.

Vamos, amai-vos! A recompensa está no sangue; a água já é salobra.

Prometi: se o direito de sonhar existe, o que me possui terá implicação.

Promessa que não carrego só. Dói nas pernas, que se dobram. Falta-me ar.

Cobri-vos mutuamente; o mal não enxerga a união. Abrirá o caminho, e passaremos por ele.

Histórias serão contadas, se o tempo permitir. Ele só permitirá se caminhares; só caminharás se teu desejo te embriagar com a fome e a miséria dos comuns.

Minhas palavras não são apenas letras; são sementes lançadas ao vento, esperando encontrar solo fértil nos corações que ainda acreditam na bondade.

Não é preciso correr. Vamos andando; os bons pensamentos pertencem aos que caminham com calma, sempre.

O vinho e o sangue são vermelhos, não por coincidência; ambos respondem por uma mesma história: traição e dor.

Lembram-se Dele?

Espero por vós.

Acredito em vós.

Nossa história já foi contada várias vezes.

Olhemos para trás; lá encontraremos a resposta.

Ela está a nos seguir.

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