Os Esquecidos pelo Tempo

Poema 31 de 73
Os Esquecidos pelo Tempo

Vou reclamar; meu coração exige, minha consciência demanda.

Venho aqui gritar por piedade, pelos esquecidos, por aqueles a quem a vida nunca sorriu, por aqueles cujo tempo jamais floresceu, por aqueles a quem o brilho do sol pouco aqueceu. Sinto-me aflito por este gesto de injustiça com que o mundo castiga cruelmente os humanos de menor valor.

Minha consciência requer que meus olhos os vejam e minha mente discorra, clamando o que, por justiça, precisa ser declarado e escrito.

Percebo uma fome de tristeza percorrendo a humanidade pelo direito à vida. Amarguras covardes, impostas por uma minoria que define quanto direito eles podem ter, neste espetáculo que é viver com decência e esperança.

Na verdade, a carência de decência foi consumida pela grandeza da ambição, no reino da falsidade, protegido pelo manto da mentira.

Esse martírio se estende a muitos, esquecidos pela doçura dos costumes, com excesso de humildade. Aguardam, sem gritar, esguios de atitudes e coragem, coroados pelo desejo da simplicidade.

Hei de defendê-los.

A mansidão dos esquecidos não compreende a brutalidade da realidade, a empáfia dos inconsequentes, a traição dos pecadores que se escondem nos labirintos do poder.

Acorrentados pelos laços da calúnia, com o pensamento desfeito pelo medo do julgamento injusto, choram sem lágrimas, gritam sem voz e lutam de olhos vendados.

A todos os esquecidos que a vida ainda protege, pela sorte do tempo, vou com humildade e determinação lutar por essa agonia, que julgo ser o retrato da maldade, pelo mal que não prescreve.

Depravada é a grade que separa os homens, apartados pela vergonha, pela ausência de caráter.

Do outro lado, sangram com agonia e desespero, a mente encoberta pela poeira do esquecimento, abandonada pelo desaforo da indiferença, teimosamente perdida pela ausência de necessidades.

Mundo de traições, retorcido pelo erro da ganância, escorrega no leito da vaidade e repousa na cama dos obscenos. São os patrões do mundo, que os olhos do bem jamais viram nem acariciaram.

Eles são almas negras, vestidas de injúria, protegidas pela mentira, defendidas pela anarquia, que há séculos determinam os valores que a pobreza, por eles, acredita merecer, sem aflições.

Tempos cruéis, que se prolongam sem medo, devoram a consciência sem sobras, engordam pela gula, afogam-se, mas não se desfazem dos excessos. Eternos violadores da alma humana.

Mas ainda florescem alguns jardins, pequenos, delicados, coloridos de aleluia, aquecidos pelo sol da esperança, lugares distantes que a face do mal esqueceu e que, protegidos pela casualidade da sorte, conseguem sorrir com a face de um anjo dourado.

Lá, o perdão não existe, pois não há o que perdoar.

A maldade é muda, para ser protegida.

A vaidade esconde-se e é cúmplice.

Todos estão presos nas raízes pelo amor, agradecidos pela irmandade que os une na delicadeza da gratidão, que acolhe seus espíritos.

Mudar a história é um trabalho colossal. Ombros dobram-se e gemem de dor, pernas cruzam-se e caem ao chão, tremem pelo peso excessivo.

O suor da dor e a fantasia do martírio são arruinados pelos atos da traição.

Os esquecidos são maltratados até que seus farrapos se desfaçam, lançados no abismo do esquecimento, velados pela negra luz da noite.

Espero e imploro que a fera adormecida na mente dos homens de bem seja despertada pelos gritos de agonia das almas que hoje sofrem, pelos pecados da imbecilidade dos ditos reis sem anéis.

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