Cães do Inferno

Um novo tempo se formou, e agora o que se vê são as anarquias dos princípios, a imoralidade despida que a razão aceitou como um delírio impróprio entre seus pares.
Reis sem a coroa da virtude.
Senhores com a máscara da mentira.
Irmãos sem a cruz da esperança.
São estes os sinais da traição, os cães do inferno que, embriagados de vaidade e soberba, roubam nossos sonhos, massacram nossos desejos e nos afogam no pântano da confusão, numa miséria desnecessária.
Confuso, com os olhos iludidos pela desesperança, nesse tempo de escuridão sem trégua, procuro nas frestas do tempo um lugar para pensar e escolher como e onde devo lutar.
Procuro um novo tempo, com a coragem do bem e da justiça, para seguir e determinar minha luta.
Procuro, neste mundo de traições, com a angústia de uma alma traída, sentir mais uma vez a brisa da felicidade neste rosto distorcido pelos atos de insensatez que nos perseguem e condenam, sem justiça nem piedade.
Os cães estão escondidos nas falsas verdades do tempo e persistem, arrastando seus cheiros por todos os lugares por onde passam.
Eu, com fé, marcado no íntimo da minha alma pelo Deus a quem pertenço e confio, espero encontrar as verdades de que preciso para lutar pelos direitos que me cabem.
Os cães variam em raiva, força e cheiro; eu me concentro em resiliência, bondade e coragem.
Faço das escolhas do bem o perfume da minha alma, que acredita que os latidos cessarão pela insistência dos iguais que restaram neste mundo de falsidades.
“Acalme o coração e abra os olhos da justiça, seja paciente, escute os latidos dos cães; eles não ferem, apenas assustam os desprevenidos.”
“Venham, vamos juntos colocar os bons valores e a coragem nas almas dos desafortunados”.
“Vamos empobrecer, com nosso grito, o rosnar dos cães e acelerar o ritmo nos passos dos fatigados; a vitória está adiante”.
“Vamos afastar os cães da vida com o tridente da resiliência, com a força da fé e com a generosidade da esperança”.
Sigo, rumo a um destino de minha própria escolha que, mesmo sangrando nas vestes pela história de dor e agonia enfrentada, me trará calma, pois sei que, entre Ariel e Caliban, o primeiro viverá na sombra do meu caminho e será meu aliado.
As amarras que prendem meus atos não se desfazem com os latidos, porque foram costuradas com as cordas de uma consciência livre e com as mãos da liberdade.
Neste mundo, perdido pela falta de tudo que um dia foi nobreza, envergonho-me da minha história e, com tristeza, desfaço-me, com desgosto, da minha esperança.
Com luta, deixo que essa ingratidão me açoite pela covardia que sempre foi a marca da nossa tragédia, construída sobre as cinzas de memórias queimadas pelos infelizes, cães do inferno.
Ainda percebo as brisas da esperança gentilmente alisando a minha face e me permitem respirar o ar da gratidão, que, por destino ou glória, me fará ostentar a face do sorriso do belo, neste mundo que parece ter sido esquecido por quem nos criou.
Peço gentilmente:
Beija-me, Senhor, e mostrarei a vitória da esperança e da fé.
Abandona-me, Senhor, e trarei a dor da derrota, sem mágoas.
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