O Céu que Eu Escolhi

Olhei, com o espírito da esperança, por trás das colinas verdes onde o eldorado repousa e os raios do amanhecer de um novo dia, que me iluminam e servem, despontam.
Apaixonado, fixo os olhos nos detalhes da beleza do lugar.
O azul do firmamento confunde-se com o infinito; a brisa suave contorna minha face e faz cair folhas que delicadamente desenham no chão o retrato do acaso.
Meu sorriso, refletido num lago sereno, revela-me as cores da bondade. Vejo árvores de diferentes matizes debruçadas sobre meus ombros e um perfume com aroma de felicidade que mansamente invade tudo ao redor.
Por descuido, observo meu reflexo e, sem perceber, me elogio, alegrando-me com o que vejo. Minha imagem mostra-se suave e adocicada.
A mansidão do tempo flutua aos meus pés, que marcam o caminho com a luz de uma paz abençoada, tingida pelo delírio de uma primavera de gentis prazeres.
Busco carinhosamente um sinal na relva ainda molhada pelo sereno da noite e, cautelosamente, percebo traços semelhantes a lágrimas.
Deus chora?
Poucos sons, acorrentados pelo desejo da alegria, aliviam o cansaço da minha alma, desgastada pelos anos da vida.
Risos contidos dissipam minha dúvida; o perfume da manhã adormece meu medo. Tenho estrelas bordadas nos meus pensamentos, que tingem o caminho com brilho e guiam o rumo que agora devo seguir.
Viro-me. Uma pequena chama com a cor do sol, suave e constante, cruza o horizonte e se vai. Delicadas estrelas aos meus pés adormecem, e uma sensação de despedida me preenche por inteiro.
Aproximo-me com suaves passos de um jardim que meus olhos nunca viram. Cores entrelaçam-se, dançam delicadamente, cruzam-se, falam e cantam com a liberdade de uma flor, tocando desapercebidamente meu coração, já eternizado pelo ritmo suave e elegante de uma nova vida.
Deliberadamente escondida, uma voz se aproxima, calma e suave, abraça-me com a leve brisa da manhã, coração gentil. Respondo com olhos enfeitiçados; ela me oferece um sorriso, e minha alma amolece e agradece.
“Se te agrado, também me agradas, pois és tu que procuro. Sem correntes estás; fica, se assim desejares, e compreende que o coração não há de se cansar, pois a volta é permitida, justa e abençoada”.
“Se me acompanha, digo, o trabalho é simples: vamos acolher os escolhidos. Novos encantos hão de vir, nesta morada que vos servirá”.
Recordo os pensamentos vividos e debruço-me sobre o juízo que a vida fez de mim e não reclamou.
Escolhas farei. Justo serei. Remorsos não terei.
Deitar-me-ei à sombra da eternidade e tocarei com carinho o castelo das lembranças.
O convite foi feito, e eu o aceitei.
Fico envolto pela alegria, cercado pelo perfume da gratidão e sorrindo com as vozes da paz.
Na tua casa, cheguei. A escolha foi minha. A permissão, tu me concedeste.
Deus ainda chora?
Sim, percebi, eram lágrimas de alegria pelo filho escolhido que retorna, para chorar no seu ombro.
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