A Vida

Poema 20 de 73
A Vida

A vida só existe num único momento, agora.

O antes é recordação, o depois é esperança.

O que eu aprendi?

Dela aprendi, com os choros e os risos que afligem minha alma, escondida nos desejos que salvam meu coração e abençoam minha consciência.

Dela aprendi o que me foi dado e o que me foi tirado; a razão de assim ter sido são as determinações do destino.

Dela aprendi que vim e partirei sem medo e com devoção, pelo caminho traçado pela morada da minha gratidão.

Agradecer é o certo; entender é o incerto. Ficar ou seguir faz lembrar o que foi merecido, os dias que me foram oferecidos.

Se tua chegada te assusta, certo estou de que não a mereces! Teus gritos de dor não regem uma sinfonia diferente; somos todos iguais e iguais seremos sempre.

O fim definirá tua história.

Se, por medo, foges, não terás o que refletir neste tempo de desamor. Terás de seguir, só e sem compaixão, pelo caminho da salvação.

Não pergunte; cumpra o ritual. Protege-te no labirinto dos teus pensamentos, turva o chão com bondade e acaricia as estrelas que te iluminam.

Seguem com os anos, eternos. Não serás feliz se não o mereceres; as lembranças permanecerão, se as guardares com devoção, e teus valores terão peso.

Se precisares, chora com a mente e grita com a alma!

Os segredos da alma te dirão, numa mansa brisa com raios de algodão, que no último dia abraçarás, para oferecer, o que por direito tens.

Se não percebes o presente que te dei, não me acolhes. O doce da tua alma será o gosto da tua chegada, guardado nos atos de bondade que um dia doaste.

Vem sem medo, envio-te sem medo. Tens a mim como eu te tenho; seguiremos juntos, com majestade e ternura.

O caminho é longo, resiliência havemos de ter.

Vida, consequência do meu desejo!

Pendurados nas minhas vestes, carrego sem esforço os anos que me restam, pois és tu a escolha que procuro, és tu que emolduras o retrato da morada do meu aconchego.

Se me agradeces, também te agradeço. Se me ofereces, também te ofereço. O que nos faz iguais é o que nos torna iguais.

Se me queres, também te quero.

Se não me foges, te abraço e assim seguiremos para o castelo da última morada.

Beijo-te os pés, se me pedires. És a escolhida que, com o sorriso da gratidão, alimenta a fome do meu coração.

Vem, estou tão perto que meu coração te escuta, e meus olhos veem tua alma sorrindo, como um canto que jamais ouvi.

Vida é o sinônimo de encanto que o destino guardou como surpresa, que o tempo, com paixão, libertou para o deleite da alma, que, suspensa no paraíso, te sorri com gratidão.

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