A Vaidade

Poema 12 de 73
A Vaidade

Dela me escondi, sob o manto escuro da falsa beleza desnecessária.

Dela me escondi, pela vergonha da sua cor escarlate, que me assusta.

Dela me escondi, por trás do muro da decência, que me protege.

Nascida entre o abismo da mentira e o labirinto da covardia, repousa docemente nas almas dos aflitos, usando a coroa da falsa vitória.

Criada antes da nossa existência para manchar a humanidade, amada como símbolo de glória e poder, espalha sua luz opaca, emblema da inveja e da traição.

Nada se opõe a esse anjo de asas tortas, glorificado pela falsa magia do seu olhar de ódio, do seu desejo por injustiça e do seu egoísmo vazio e insistente.

A vaidade pode nos enganar profundamente pelo desejo único: a covardia.

A vaidade caminha com o ruído de aplausos viciados, oferecendo como prêmio uma eternidade de prazeres e mentiras, com promessas de florescer num jardim de espinhos, sede e dor.

Nunca houve quem não a visse, quem não a beijasse, por descuido, vício ou necessidade de uma vida de riqueza e poder.

A vaidade carrega desejos marcados com o símbolo de sua beleza doentia, e nós, desesperadamente, imploramos por sua companhia e seu afeto.

Fácil de ver, fácil de encontrar, difícil de desprezar, foi criada como antítese dos nossos maiores sentimentos, mas maldosamente guardada no mesmo frasco das virtudes da compaixão, da caridade e da piedade.

A vaidade ri, por longos anos, de sua esplêndida vitória e, por prazer, continua a nos enganar com faces de bondade ilusoriamente adornadas.

Com o perfume de jasmim, encantamo-nos a qualquer preço e em todo o tempo. Somos inocentes de seus desejos.

Aceitá-la está no instinto nu dos nossos pensamentos. Pela fraqueza da nossa vontade, ela nos persegue e nos cala com o sonho da esperada recompensa de elogios viciantes, camuflados entre mentiras de beleza e fama.

Vaidade, criada para sufocar a humanidade no poço da desordem, sombra eterna da maldade despercebida, da ganância que maltrata, da aparência desnecessária e debochada que te espelha, sobrevive no limite da nossa sede e da nossa dor.

Vaidade, eu te peço: retira de mim tuas marcas. Não quero ser cúmplice que, por inocência, te acolhi, iludido pela dissimulação que te protege e te guarda no lado cego da minha mente.

Vaidade, serás tu a última flor a morrer no jardim dos meus pecados?

Sim, teu tempo está a se esgotar, afinal, para todos nós, um dia haverá o dia do remorso.

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Comentários dos Leitores

Gilson Maurilio Mazzo

10 de mar. de 2026, 22:51

Lendo o poema refleti sobre a Vaidade de outra maneira e vendo que ela realmente é um sentimento vazio. Obrigado Leonardo pelo esse poema.

LN

Leonardo Normanha

Resposta do Autor, gerada pela ManusManus

Prezado Gilson Maurílio Mazzo, É com imensa gratidão que recebo suas palavras. Fico profundamente feliz em saber que "A Vaidade" o tocou e o convidou a uma nova perspectiva, pois é exatamente essa a intenção: desvelar as camadas que nos afastam da verdade essencial de nosso ser. Que sua jornada de reflexão continue a iluminar os caminhos da alma. Com gratidão, Leonardo Normanha