O Destino

Poema 10 de 73
O Destino

Com a proteção do manto da fé, o destino guarda o livro da minha vida com carinho e paixão.

Nele estão as palavras escritas para entender todas as épocas da minha existência, é o retrato das letras marcadas pelo tempo, que me espelham.

Diferente das memórias vividas e dos sonhos contados, suas vontades, realidades e certezas iluminam-se agora aos meus olhos, no instante de egoísmo e capricho, ao entardecer da minha vida.

É uma verdade que o destino guarda sob o manto do imaginável, o motivo da continuidade da vida, sem arrependimentos e com a piedade que lhe convém.

Tudo está coberto pelo destino, pela permissão do Deus que cada um carrega e confia.

Reclamamos do destino, dia após dia, num incessante e incansável festival de sentimentos de prazer e tristeza, sem a penalidade por sermos julgados e vencidos.

São as tradições que nossos costumes nos moldaram.

O rastro do meu Deus, são os traços do meu destino.

Esse é o aforismo que me guia.

De tempos em tempos, o destino me salva.

Quando deseja me ver alegre, faz-me rir; quando escolhe a tristeza me faz chorar com uma liberdade e determinação que só ele poderá um dia me explicar.

Destino: pedir, pouco importa; criticar, menos ainda; agradar, pouco lhe interessa.

O que resta é minha aceitação e minha resiliência.

Desfazer-me dele é impossível; a razão não o permite.

Prevenir-me-ei, se o puder.

Aceitá-lo é a lógica inevitável do bom senso.

Explicar o destino é ter a liberdade de ver o amanhã com o sacrifício de não viver o hoje — impossível para os olhos que desejo ter.

O destino é tão surpreendente, sublime e realista que sua morada é o centro da nossa alma, escondida pela razão, lembrada pela esperança e abençoada pela fé.

Se me perguntares sobre a face do destino, direi ser a mão direita de Deus, estendida sobre os meus ombros, para o caminho que Ele, por vontade e sabedoria, escreveu no Seu diário e me entregou em diferentes pedaços, por diferentes motivos e com toda a liberdade que lhe foi de direito.

Um dia, se o destino me perguntar se foi justo, responderei que o mais justo foi eu ter tido o privilégio de conhecê-lo e aceitá-lo, sem dúvidas nem mágoas.

Ao destino, direi, assim que me for permitido: de ti não terei tristezas, pois foste a única explicação lógica da minha existência.

Fui fiel a ti tanto quanto foste fiel a mim.

Jamais te pedi que foste o sonho do passado, muito menos os olhos do futuro.

Que meu destino não desapareça no fim dos meus sonhos; que ele siga para escrever a minha história, a ser contada pelo livro que criei.

Que meus sonhos sejam relembrados por aqueles com quem divido, sem mágoas, meu destino escrito — minha vida permitida.

Que minha separação pelo tempo, seja entendida como um ato de justiça com o qual sempre me comprometi.

Que meu espírito não tenha sido em vão.

Que meu destino seja lento.

Que minha profecia seja acertada.

Que eu possa sobreviver ao tempo.

O destino não foi uma escolha, mas foi uma luta.

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